Ainda dói, e muito
Como um espinho miúdo
Cravado, profundo
Nas lembranças de outrora
Um doce amargar
A primavera já se encosta
E o tempo demora
Sutilmente
Como uma brisa de agrado
À beira do mar
Me entrego ao cansaço
De quem já chorou mais do que podia aguentar
Uma tristeza certa e precisa
Me derruba, me descarna
Me faz delirar
É um delírio incompleto
Repleto de ironias
Vago e inútil
Trazido dos jardins do passado
De outras primaveras que insisto em lembrar