Não tenho mais o tempo que passou
Nem a vida que sonhei
Tampouco o amor que me guiou
E de mim mesmo, nada sei
Nada resta a esta mente
Submersa na loucura
Além da dor preeminente
Da enfermidade da procura
Sou a sombra de mim mesmo
Projetada no espelho da solidão
Sou palavras atiradas a esmo
Nas profundezas da escuridão
Das vias da existência nua
Sou a rua sem saída
Insistindo na casa sua
Mas jubilado da própria vida